“Então muda o seu jeito de ser. Então muda o seu modo de agir.”

Jeito de ser

 

Você já deve ter ouvido falar, principalmente se é familiarizado com o ambiente de agência de publicidade, que quando acontece alguma coisa errada a culpa é sempre do estagiário. Melhor dizendo, quando o cliente não quer pagar muito caro, ele pede para o sobrinho que mexe no photoshop e entende tudo de computador fazer o material que ele precisa. O que, em tese, provocaria queda na qualidade do produto e aumentaria em 589% a chance de sair algo grotesco.

Mas, na maioria das vezes, a culpa não tem relação nenhuma com essas muletas de desculpa que as pessoas usam para acabar com um assunto delicado no processo de trabalho.

foto_1

Numa agência, ou insira aqui o setor corporativo que você quiser, o trabalho passa por muitas mãos até chegar no público a quem se destina. No ramo publicitário tudo se inicia no atendimento, passa para o tráfego, planejamento, criação, redação-direção de arte-revisão, volta para o atendimento que aprova com o cliente para aí sim ir para finalização, setor de mídia, orçamento, arte final e veiculação. Muitas pessoas estão envolvidas para dar solução para as adversidades.

E pode ser que nem sempre o cliente tenha mesmo um problema de comunicação, mas ele surge quando ninguém entende o que ele realmente deseja. E, desta forma, passamos a lidar com “o que achamos que ele precisa” e não com o que ele precisa de verdade.

Por isso que foram inventadas as refações e os gerenciamentos de crise.

No jornalismo old school – aquele em que o jornalista, quando tinha uma pauta quente, saía correndo pela redação, olhava para o editor e clamava A CAPA É MINHA! -, quando o assunto não era interessante ele simplesmente não ia para o ar. Na linguagem dos jornalistas, a pauta “caía”. E caía para não se levantar caso não houvesse uma justificativa para a ressurreição.

Sempre houve o boato de que a internet matou o jornal, mas na verdade a notícia de internet matou a pauta. Esse é o verdadeiro cadáver. O menino jornalismo, esse sacripanta, segue vivo.

Mas retomando, o grande problema que ainda paira sobre essa comunidade é que a disfunção da notícia é maior do que cabe em qualquer tablóide. A todo momento novas notícias não vão para o ar por utilidade, vão por necessidade de click. É preciso manter a média alta e quantitativa, onde a qualidade raramente fica online para responder sobre seu ofício.

E qual é a função da qualidade?

Você consegue me dizer qual a razão de precisarmos prezar pelo alto nível de qualidade de tudo que desenvolvemos? Qualidade é aquele teste utilizado para assegurar que determinada tarefa é adequada, tem excelência e bons predicados. O que você tem visto de adequado nos últimos tempos?

No final de 2015, aconteceu um fato curioso na fanpage de uma grande marca. O Bis, da Lacta, publicou uma imagem com uma montagem bastante amadora (ou erroneamente proposital) e diversos memes surgiram nos comentários apontando isso. Eles, para amenizarem a situação, entraram na brincadeira e continuaram a publicar montagens fora do padrão.

Um conhecido site de notícias escreveu que “Bis dá aula de como lidar com erro em social media”, mas a afirmação era questionável desde a primeira frase. Seguinte: quando você trabalha com social media, existe uma série de parâmetros, personas, arquétipos e linhas de conteúdo. Não é simplesmente pegar o tiopês e ir escrevendo “migo” em toda publicação e se achar revolucionário. Uma mesma linguagem não funciona para todo mundo, uma mesma solução não tira todos os problemas de circulação. Como diria Eduardo Jorge: “É preciso estudar”.

Hoje, o jornalismo online é pautado no que saiu nas redes sociais. Quantas manchetes você já leu sobre “Veja os memes que bombaram na semana”, “Como o Twitter reagiu aos últimos acontecimentos”, “Veja as paródias dos internautas no Twitter e no Facebook”, “Saiba mais sobre as últimas notícias em 17 gifs”, “Briga entre celebridades no instagram gera buzz entre seguidores”.

Nenhuma delas traz o atentado, ela só evidencia (ou se torna) quem ataca. Mesmo que seja um ataque bobo e sem sentido.

E o que mais tem hoje é quem não disfarça bombardeio, pois a internet já é um campo de guerra onde não há barricada segura.

Foto_2

No meio dessas trincheiras falsamente noticiosas podemos encontrar a publicidade anunciada em forma de texto e a burrice em forma de LEAD. A burrice move o mundo como um interminável combustível. Não há tempo para intelectualidade quando, sem esperar, surge mais um personagem engraçado(?) e o logo da empresa ainda não está dentro de uma arte 1000×1000 para representá-lo. O engajamento está fadado ao previsível.

E, na maioria das vezes, o post vem do Meme Generator, o gif de “Bom dia” vem do Giphy, a foto viral vem do Google (pesquisada em imagem tamanho grande). Logo em seguida vem a ordem do enter do patrão, do sócio antenado, do gerente da loja, do jornalista freelancer que vasculha assuntos nas abas no EGO, da menina nova do departamento que sabe tudo que acontece no Morri de Sunga Branca ou daquele menino recém-formado do setor de web que é viciado em selfies.

A ideia da publicação sempre parte de alguém que tem cargo de chefia, nunca do estagiário. E o sobrinho, esse nem sei porque apareceu na história. Você negligencia a informação, mas reconheça: a culpa não é dele.

Via – Plugcitários

Compartilhe

Posts Recentes

Tutorial – Códigos secretos para netflix

Tutorial – Códigos secretos para netflix

Este tutorial não é nenhuma conta Premium ou algo parecido’. Este tu...
Tutorial – Como ter um grupos de 256 pessoas no WhatsApp

Tutorial – Como ter um grupos de 256 pessoas no WhatsApp

Uma nova atualização trará o recurso! Baixe agora mesmo e tenha antes...
Dinheiro te deixa menos triste, mas não mais feliz

Dinheiro te deixa menos triste, mas não mais feliz

Que? De acordo com cientistas, ter uma renda maior r...